Os passivos ambientais podem ter como origem qualquer evento ou transação que reflitam a interação da empresa / empreendimento com o meio ecológico, cujo sacrifício de recursos econômicos se dará no futuro. Assim, consideram-se passivos ambientais, dentre outros:
  • aquisição de ativos para contenção dos impactos ambientais (chaminés, depuradores de águas químicas etc);
  • aquisição insumos que serão inseridos no processo operacional para que este não produza resíduos tóxicos e ou perigosos;
  • despesas de manutenção e operação da área de gerenciamento ambiental, inclusive mão-de-obra;
  • gastos para recuperação e tratamento de áreas contaminadas e ou degradadas (máquinas, equipamentos, mão-de-obra, insumos em geral etc);
    pagamento de multas por infrações ambientais;
  • gastos para compensar danos irreversíveis, inclusive os relacionados à tentativa de reduzir o desgaste da imagem da empresa perante a opinião pública, etc

A essência do passivo ambiental está no controle e reversão dos impactos das atividades econômicas sobre o meio natural, envolvendo, portanto, todos os custos das atividades que sejam desenvolvidas nesse sentido.

Para melhor entender o surgimento de passivos ambientais é necessário analisar os diferentes ciclos produtivos dos sistemas econômicos, divididos em dois fluxos básicos: Fluxo produtivo de via única e fluxo de economia de ciclo fechado.

Fluxo produtivo de via única – sistema tradicional, característico dos primórdios da revolução industrial, onde o processo é iniciado com a extração da matéria-prima, passando pelo processamento primário ou secundário e pelos processos industriais de fábricas e usinas, sendo os produtos finais, bens duráveis ou não, encaminhados para o uso. Os produtos, após utilização, vão para o lixo sendo finalmente depositados em aterros sanitários ou valas comuns. O fluxo de via única retilíneo é mostrado na Figura 1.


Figura 1 – Fluxo produtivo de via única

Atualmente, os processos produtivos estão se alterando em função da busca permanente da redução de custos, do uso racional de matérias-primas e insumos, ou pela adoção de processos tecnologicamente mais evoluídos ou ambientalmente mais adequados.

O ciclo produtivo de via única, com seus efeitos ambientais nocivos, elevado grau de irracionalidade e falta de economicidade, está sendo gradativamente substituído pela adoção do fluxo da economia de ciclo fechado.

Fluxo de economia de ciclo fechado – o processo produtivo também se inicia com a transformação de matérias-primas, passando também pelo estágio intermediário da produção e uso dos produtos. A alteração do ciclo se dá após a utilização dos bens, sendo que os produtos de usos industriais, agrícolas, comerciais ou residenciais, como máquinas, equipamentos, instalações ou móveis e utensílios, são separados, reutilizados ou reciclados.

Nesse processo, evidentemente também ainda há restos, ou seja, sobras que sem dúvida exigem algum tipo de destinação final (aterros, incineração, etc.).


Figura 2 – Fluxo de Economia de Ciclo Fechado

O fluxo de economia de ciclo fechado deve ser adotado tanto no ambiente familiar quanto nas empresas e instituições. No familiar, por exemplo, a participação se inicia somente na fase de uso, mas é perfeitamente válida quando se trata de separar o lixo, reutilizar produtos e utensílios e minimizar o lixo com destino final. Portanto, com o fluxo de economia de ciclo fechado, pode-se reduzir e mesmo eliminar o surgimento de passivo ambiental. A opção empresarial está cada vez mais caminhando para a adoção deste conceito de produção limpa, onde as empresas que saírem na frente em relação às variáveis ambientais, ganharão competitividade, mercados e lucro.